Vinho bom é vinho bom

Vinho bom é vinho bom, e mau gosto não se discute. Prezo pela indiferença se bons vinhos são aqueles de que gostamos, porque não se compartilha gosto, embora gostos até coincidam ou nos programemos para coincidi-los. Sobre o que é vinho bom, informo ali adiante, mas já adianto que vinho bom pode ser ruim e vinho e versa.

Sabe aquele vinho que não entrou por qualquer razão? Vai que uma gemada com ele – posta aí receita e fotitos, cozinhaadois – debaixo do edredom te faz um carinho. Olha o charme de tomar uma gemada com vinho de 50 ou 100 reais e ovos caipira.

vinho vinhedo

Outro dia pensei em como não perder muita temperatura ao juntar o vinho fervente à gemada e decidi pré-aquecer o xicrão. Não muito para não cozinhar os ovos. Deu certo. E outro dia depois daquele dia me deu desejo de novo. Quebrei dois ovos e, ui, não tinha açúcar branco. Meti mascavo crente que não ia ficar bom, muita interferência. Deu muito certo.

(Isso tudo aí só perde da saudade da gemada com vinho de garrafão com telinha de corda ou de plástico da época do meu pai, feita pela minha mãe.)

Com o que sobrar do vinho tinto rejeitado, tempera um bloco de ovelha, mesmo que a receita sugira um branco. Se não é do ramo, deixa de manhã na casa do amigo que cozinha e volta à noite. E se optar tanto pela gemada quanto pela marinada, a ordem é importante. Gemada por último.  

Por fim, vinho bom, vinhos bons são aqueles que se ampliam nas sensações de um bom momento, são aqueles que são marcados por estados ou marcam ocasiões, inclusive uma degustação entre enochatos.

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