Feijoada com gosto de Brasil e esperança

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Há mais de um ano vivemos uma tragédia diária. Um dia chegaremos ao fim deste pesadelo de pandemia, não é mesmo? Assim esperamos, e por isso ativamos a esperança todos os dias. Por isso neste fim de semana fizemos feijoada com gosto de Brasil e esperança.

O que tem a ver feijoada com esperança? Pois tem muito!

Recentemente, num dos nossos dias de reclusão na pandemia, estávamos procurando uma música da Elis no YouTube, entrou aleatoriamente um show de “Tom Jobim – Ao Vivo em Montreal” filmado em 1986, no Festival Internacional de Jazz da cidade canadense. A maravilhosidade de ver o grande maestro com Danilo Caymmi, Quinteto Vocal e banda nos trouxe um conforto afetivo intenso, num dia de muita tristeza. Foi de uma emoção profunda lembrar do Brasil. Lembrar da alegria que se tinha em ser brasileiro. Lembrar que somos um povo diverso, cheio de problemas por resolver, e que faz coisas incríveis. Que tem na arte representantes que nos enchem a alma de amor. “O Brazil não conhece o Brasil. O Brazil está matando o Brasil”. Mas o Brasil é forte.

Brasil brasileiro

A feijoada deste post também foi feita para lembrar do Brasil. Um prato que tem suas raízes na riqueza da cultura do povo negro. Um prato que tem a sua referência no povo. Uma comida que chegava às mesas de muitos brasileiros como festa. Um prato cantado pelo Chico Buarque, Gonzaguinha e tantos outros artistas como ponto de encontro e momento de festejar a vida.

Fizemos a feijoada para lembrar do Brasil e dos brasileiros, que seguem exigindo respeito e sobrevivendo, apesar do governo.

Fizemos a feijoada para lembrar que é a agricultura familiar que coloca comida nas nossas mesas. No mundo do agronegócio, tão badalado e cheio de milionárias isenções fiscais, o Brasil voltou pro mapa da fome. Precisamos lembrar que é a agricultura familiar que produz sem agrotóxicos, enquanto o governo incentiva o uso de veneno nos alimentos, aprovando em dois anos mais de mil agrotóxicos que estão sendo aplicados nas monoculturas Brasil a fora.

Fizemos feijoada com feijão orgânico, acompanhada de arroz produzido pelo MST, maior produtor de  arroz orgânico da América Latina e que está, incansavelmente distribuindo cestas de alimentos às populações em insegurança alimentar.

Compramos direto dos produtores ou nas feiras do bairro e mercados locais, para incentivar os pequenos negócios e garantir que sobrevivam a uma pandemia na qual o governo priorizou passar bilhôes aos banqueiros, que por sua vez, tiveram lucros recordes em plena pandemia.

Então, minha gente, fazer feijoada foi sim um ato de esperançar por esse Brasil. Pelo desejo de que todas as casas deste país tenham direito ao feijão com arroz e, quiçá, festejar a vida com feijoada.

Como fazemos

Feijoada, cada um tem a sua, cada região tem seu jeito. Então receita de feijoada é coisa arriscada. O que contamos aqui é o nosso jeito de fazer. E, nesse caso, uma feijoada para dois, que é coisa pouco comum, já que feijoada mesmo se faz em panelão para celebrar com muita gente.

Ingredientes

  • 500g de feijão preto (usamos orgânico)
  • 1 linguiça calabresa
  • 1 paio
  • 150g de charque (carne seca)
  • 100g de bacon picado (não muito pequeno)
  • 150g de lombo defumado
  • 150g de costelinha de porco salgada
  • 3 dentes de alho
  • 3 folhas de louro
  • Orégano seco a gosto
  • 1/2 pimentão
  • 1 cebola
  • pimenta do reino a gosto
  • Grãos de cominho a gosto
  • salsinha e cebolinha a gosto

Adicione o que for do seu gosto!!

Preparativos

Gostamos de deixar o feijão de molho na noite da véspera. Ponha quase o dobro do volume de água, que o feijão vai inchar. Isso vai acelerar o cozimento e deixar ele muito macio.

Também de véspera deixe o charque a a costelinha salgada de molho para desalgar. Se puder, troque a água vez que outra.

Pela manhã escorra a água, que vai estar com tom escuro. Trocar a água vai excluir substâncias que deixam a feijoada mais pesada e indigesta. Um detalhe que vale ouro.

Numa panela bem ampla (nós usamos uma de barro). Coloque o feijão para cozinhar só com as folhas de louro. Comece cedo! Entre oito ou oito e meia, se for fazer para o almoço. Deixe cozinhar lentamente. Vez que outra uma mexida, se precisar vá adiconando água quente.

Refogado

Lá pelas 11h da manhã faça o refogado e prepare as carnes.

Numa frigideira ampla coloque o bacon para que ele solte sua gordura e fique dourado. Com uma escumadeira retire o bacon, quase torresmo, e jogue no feijão.

Avalie o que restou de gordura na frigideira e deixe o suficiente para refogar os próximos ingredientes: a cebola picadinha, o alho picadinho, o pimentão picado. Enquanto isso tudo doura e perfuma a casa, junte o orégano e as ervas que gosta, a pimenta e o cominho, que devem ser amassados num pilão um pouco antes.

Leve tudo isso para a panela do feijão e meixa bem.

As carnes

Neste ponto já podem entrar na panela a carne seca e a costelinha, já escorrido e cortados em pedaços. Também entram o lombo defumado cortado em pedaços.

As linguiças e o paio corte em rodelas e passe pela frigideira bem quente até dourar e soltar bastante gordura. Quando estiverem prontas separe da gordura com a escumadeira e junto ao feijão.

A esta alltura o caldo do feijão já vai estar engrossando. Vá colocando água, se necessário, mas sempre quente para não baixar a fervura.

Neste ponto é bom ver como o caldo está de sal. Possivelmente o sal das carnes terá deixado no ponto mas, se precisar, faça uma correção.

O feijão vai estar pronto quando o caldo estiver grosso e as carnes macias. Enquanto espera, vale servir porções só do caldinho, como aperitivo.

Quando estiver pronto sirva com arroz branco, farofa (aqui tem uma receita legal), couve refogada e laranjas.

Na sua mesa você terá, além de uma gostosura, uma bela porção de Brasil!

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