Creme de chocolate: do forte-apache ao “daninete” da Dadivosa

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creme de chocolate

Uma das propriedades fantásticas da culinária é te fazer viajar. E a descoberta de uma receita no sempre maravilhoso Blog da Dadivosa me levou a um pequeno território disputado por comanches, apaches e a cavalaria. Na verdade o tapete da sala do apartamento da minha família que em muitas tardes era tomado pelos meus indiozinhos, soldados, mocinhos e um forte-apache de madeira onde triunfava a miniatura de Rin-tin-tin.

É que nestas tardes a Lurdes, empregada da família que entre os cinco irmãos escolheu a mim para receber seus mimos, me servia tigelas de um singelo mingau de maisena com chocolate. Não sei se Lurdes era uma grande cozinheira, mas fazia com muito carinho aqueles creminhos simplórios e deliciosos que eu comia entre as brincadeiras, desenhos animados e séries de TV.

Creme de chocolate

A confissão é que até hoje tenho recaídas e preparo aquele venho mingau de leite, maisena e chocolate, com umas gotas de baunilha no final, para adoçar algumas tardes de futebol pela tv.  Eu sei que não se pode esperar isto de alguém que se considera um gourmand… Mas pronto, falei!

Aí é que entra a Dadivosa. A receita do seu “daninete” abriu as portas para eu dar dignidade gastronômica às minhas reminiscências, à incansável busca pelos sabores da infância. Lá no post original dela até se fala em “paladar infantil”, num outro contexto, mencionando pessoas que temem experimentar novos sabores e optam por caminhos ortodoxos dos cremes de chocolate. No divã da querida Dadivosa acho que seria diagnosticado como um paladar adulto com necessidades infantis. Ou deixem que Freud explique a quem interessar possa…

creme de chocolate

Voltando à culinária propriamente dita, foi ver a receita, respirar as lembranças e botar as mãos à obra. Nas suas observações a Fernanda (é este o codinome da Dadivosa, ou será o contrário?) ressalta a importância da qualidade do chocolate. Então meu forte-apache foi abastecido de chocolate belga em pó e em gotas. O melhor!

Depois foi diluir duas colheres de maisena em um pouco de leite e acrescentar o restante de um litro de leite, uma lata de leite condensado e quatro colheres bem cheias de chocolate em pó. E no fogo brando tudo isto foi mexido até engrossar. Com o fogo desligado acrescentamos duas xícaras de chocolate picado (usei um que já vem em gotas) até derreter e ficar homogêneo.

Quando o creme ficou morno juntamos, mexendo com um fouet  (batedor), uma lata de creme de leite gelado sem o soro (basta fazer um furo na parte de baixo da lata e deixar escorrer o soro, que já estará separado). Parece que vai ficar tudo muito mole, mas depois de quatro horas de geladeira teremos um creme aveludado, com a consistência que se espera do melhor creme de chocolate. E o rendimento é ótimo.

A tarde deste sábado se iluminou de sabores e lembranças. Nunca pensei que uma receita me faria gritar da cozinha: Aiôôô Rinttin!

 

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